12 de nov. de 2010

10 sinais de que mulher é ruim da cabeça

Qual não foi a minha surpresa ao deparar no msn hoje com uma pergunta "Marina, isso é ou não é verdade?". Ao clicar no link, entrei em um site chamado Ganhei da Balança. Ok, o meu blog chama autodidatica, quem sou eu para julgar? Sem mais delongas, apresento-lhes na íntegra o texto 10 Sinais de Que Os Homens São Bons de Cama e abaixo, em negrito, minha análise sobre cada ítem.

1. Tem Habilidade Manual.
Observe como ele dá o nó na gravata, como amarra os sapatos ou tênis, se toca um instrumento musical ou utiliza as mãos. Habilidades Motoras são uma grande vantagem no Homem. Imagine as coisas maravilhosas que aqueles dedos são capazes de fazer.

Não acho que seja necessário TOCAR UM INSTRUMENTO MUSICAL até porque a maioria dos homens tocam seus próprios instrumentos e nem por isso todo sexo é agradável (e digo sexo, não homem, porque para mim quando algo não é bom não é culpa necessariamente de apenas uma pessoa).

2. Ele é Perceptivo.
Ele sabe quando Você está triste, chateada, aborrecida, braba.
Homens que conseguem “ ler sentimentos “ são bons de cama.

Homens que conseguem ler sentimentos são no máximo homens que conseguem ler sentimentos. Talvez eles percebam mais rápido as crises e encarem melhor as TPM's, mas não necessariamente significa que você vai urrar no colchão.


3. Ele não se gaba.
Quando ele é bom de cama não fica alardeando por aí. Deixa que nós espalhemos a notícia.
Só não seja boba de falar para todo mundo enquanto está com ele,Você corre o risco de uma “amiga” querer ver se é verdade.

Ministério da saúde adverte: esse parágrafo está carregado de babaquice. "Deixa que nós espalhemos a notícia". Claro, porque a melhor coisa de se fazer sexo é sair contando para as pessoas que fez. Que é tipo exatamente o que você tá condenando? RISOS.

4. Olha nos Olhos.
Homem que olha nos olhos quer ler corações e mentes.
Além de mostrar o quanto ele gosta de Você, mostra o quanto ele é bom no sexo.

ALÔ VESGUINHO CE TÁ FODIDO

5. Veja como ele cozinha.
Homem que sabe cozinhar sempre é melhor de cama do que não sabe.

Ahhh tá


Se ele suja e limpa ordenadamente, então ele é bom de cama.

Entendi


Geralmente, Homens que sabem cozinhar gostam de cheiros, texturas, sabores; ou seja, são extremamente sensoriais. Sendo o Sexo “ pura sensação “; um homem sensorial... É Tudo De Bom !

É Tudo De Bom!


Queremos ressaltar que esta questão foi a mais polêmica da pesquisa.

~~ POLÊMICA ~~


O “sempre “foi colocado pela editora e diz que é por experiência própria.

Ufa!


Nota da Editora :Se Você encontrar dois Homens, com atributos exatamente iguais; o que sabe cozinhar é melhor de cama do que aquele que não sabe.

ALÔ VOCÊ HOMEM QUE SABE FAZER UM MIOJÃO: CE É FODÃO!

6.Ele trata bem Você
Se ele coloca Você em 1º lugar na Vida, também coloca em 1º lugar na Cama.
Se Ele pensa primeiro no seu prazer e depois no dele, então.. ele é bom de cama.

Nada melhor que um homem que põe você em primeiro lugar. Nada de família, trabalho, é você que interessa, é você que importa! ISSO SIM É AMOR!!!!!!!111!!!!!1!!!!!!!


7.Beijo.
Homem bom de cama quando beija seus lábios não ficam rígidos. Eles amolecem e a língua é invasiva e extremamente flexível.

Nunca antes na história desse país um beijo foi tão complexo.

8.Tem Pelos no Corpo.

Tony Ramos não foge não vem cá seu delício

O alto nível de testosterona é responsável pelo nascimento de pelos no corpo. E Você sabe, quanto mais testosterona, maior a libido.

Eu não consigo comentar isso, sério. Eu vou colocar a frase de novo, vamos lá.

O alto nível de testosterona é responsável pelo nascimento de pelos no corpo. E Você sabe, quanto mais testosterona, maior a libido.

(...)
9.Voz.
Homem bom de cama não tem voz esganiçada. A Voz dele geralmente é grave e fala gesticulando. Outro ponto polêmico.
~POLÊMICO~ Homem que fala gesticulando tem maior necessidade de se expressar, inclusive a expressão sexual.Ou seja, seu jeito envolvente de falar , demonstra entusiasmo pela vida e pelas coisas que faz... Imagina um Homem entusiasmado fazendo Sexo, hem ?
UAL!!!!!!!!!!!!

Houve ressalvas. Mas a exceção confirma a regra.

AH TÁ!

10) Ele dança bem


Nota : As vezes o cara é tímido e tem vergonha de dançar na frente de outras pessoas, mas quando está sozinho com a companheira dança bem.
Outra é o cara extrovertido que dança até sozinho, e dança mal. Este sim, é ruim de cama.

Olha NADA CONTRA mulher que quer acreditar nessas bobagens, eu juro que respeito. Sei nem quem é dono do site. Você na tua, eu na minha. Só que ás vezes fica difícil engolir.

E dessa vez eu nem to falando de sexo.

24 de out. de 2010

Todo mundo espera alguma coisa de um Sábado a noite


Eu nunca fui uma pessoa política. O Aristóteles acha que o homem é um animal político. Eu não acho nada do Aristóteles. Nunca pude achar nada porque desde quando eu ouço falar dele foi pré-determinado que tudo que ele dissesse deveria ser tido como verdadeiro, tipo como deveria ser um político mesmo. Eu gostaria de ser Aristóteles. Eu diria para as pessoas pararem de assistir Supernatural e ninguém discordaria porque a Marina Bonafé nasceu na Estagira e a galera passou os anos todos discordando dela e do tio Platão e por isso agora todos me devem respeito.

.................................Ah se eu ver um supernatural.0102.RMVB

Dizem que devemos dar graças a Deus pelos gregos terem começado a organizar as "polis" porque dai que nasceu a sociedade mas meu amigo eu só comecei a pensar sobre isso porque aparentemente meu namorado preferiu dormir antes da meia-noite de um Sábado a assistir Modern Family comigo mas eu não estou julgando, ainda que ele esteja me enganando ora fazendo cosplay de trator ora se mexendo na cama como um animal. Mas não um animal político.

Desde Junho desse ano acho que não passei um maldito Sábado dentro de casa. Eu nem sei mais o que as pessoas fazem em casa aos Sábados. Eu costumava jogar World of Warcraft. Mas eu costumava ser outra pessoa também. E eu costumava organizar raids tipo como os gregos organizavam as cidades-estados. E eu poderia passar horas matando bosses até chegar no Lich King.

Até o dia que eu cheguei no Lich King.

E é mais ou menos quando você chega no fim de uma idéia e ela já tem um conceito tão bem formado que você morre por dentro. Um pouco porque já é meio desagradável ter uma idéia formada pois talvez você nunca mais pensará sobre ela uma vez que o conceito está formado. E morre mais um pouco porque a busca por aquele conceito, que é basicamente uma das coisas mais interessantes, morreu. E você vai precisar buscar uma coisa diferente agora.

....................................... BUSQUEM CONHECIMENTO

E ás vezes essa busca significa uma receita daquela torta preferida que só sua vó sabe fazer ou descobrir o que fazer num Sábado a noite. Mesmo que seja uma planta no paintbrush explicando para sua mãe por msn que está no quarto ao lado que tudo que você quer é um cantinho a mais no seu quarto por isso o guarda-roupa deve ir prali e a tv deve passar para um suporte aqui. E no wikipedia tá escrito que o livro de Platão traduzido como "A República" é, no original, intitulado "Πολιτεία". Então tá, né.

Todo mundo espera alguma coisa de um Sábado a noite.

Eu só queria não ter fritado tantos os pastéis.

1 de set. de 2010

Eu nunca joguei na megasena

- Eu nunca joguei na megasena

Sempre me olham estranho quando eu digo que nunca joguei na megasena. Mas como assim você não quer ser rica? Sim, eu quero. Você não quer poder realizar todos os seus sonhos? Sim, eu quero.A verdade é que a maioria das pessoas que jogam na megasena não estão psicologicamente preparadas para ganharem essa bolada. Todo mundo vai doar um pouco para mãe, um pouco para tia doente que mora em Barbacena e um pouco para aquela entidade que vai fazer uma estátua no seu nome e você vai tirar uma foto e contar para todo mundo que visitar sua casa pobre daqui a 20 anos. Sim, você vai ficar pobre. Você vai gastar tudo.

Sou do tipo de pessoa que rouba em todos os jogos. Se existe um cheat eu sou a primeira usar. No The SIMS? Rosebud nele. Kapersky etc etc. Ninguém na vizinhança tem a casa mais bonita. Os móveis? Compro todos. Satisfaço cada desejo de consumismo da minha char. Dou um filho, um marido, geladeira nova. Ela nunca está satisfeita. O filho tira nota A, o marido tá crescendo no emprego da área de tecnologia, mas o chefe dela acabou de redefini-la de cargo porque perdeu dois dias de trabalho. Isso porque a última coisa que ela quis foi um salão de festas e passou tanto tempo dançando com o Rogério Caixão que simplesmente esqueceu das horas depois. Até levantou da cama mas acabou dormindo na sala e o marido brigou com ela dois dias por causa disso. O dinheiro estava acabando então eu fiz mais um cheat. Maria , a filha, e suas treze coleguinhas agradeceram a piscina no fundo do quintal da casa. Nadaram o dia inteiro. O marido começou a crescer demais , ganhar mais dinheiro, os cheats não eram mais necessários , porém mal tinha tempo para ficar em casa. Um belo dia ele viajou a negócios e Marcela descobrui que na verdade ele passou um fim de semana num spa fora da cidade. Com outra mulher.

Mas Marcela é uma mulher diferente, ela não é o tipo de mulher que se deixa abalar, sabe? Resolveu testar aquele novo home theater que ela tinha encomendado semana passada e fez uma sessão de cinema com o marido da vizinha. Aproveitou que as filhas dos dois estavam estudando para o simulado de Física que seria semana seguinte. O clima esquentou e eles transaram ali no sofá mesmo, como dois adolescentes que não tem medo do perigo. Pois nesse dia o marido tinha cometido um grande erro e fora demitido. Chegou arrasado para contar a notícia e encontrou sua mulher nos braços de outro homem.

Quebrou aquele vaso lindo que sua esposa comprara na semana passada chamando atenção do casal que repousava no sofá. Assustada, levantou, mas não conseguiu se explicar. Rogério Caixão tentou fugir mas o marido foi atrás e eles começaram a se bater. As filhas desceram a escada e, assustadas, voltaram para o quarto e choraram. A mãe olhou a sua volta e teve um surto. Tinha uma filha que tirava A nos exames, um amante gostoso e um marido rico. Tinha TV de plasma, tinha computador de última geração, por Deus, ela tinha uma geladeira que falava! Ela tinha a maior piscina do condomínio. Um nadador profissional chegou a dizer em uma festa que aquela piscina tinha sido uma das melhores que ele já tinha experimentado. Ela dormiu com ele nesse dia.

A gritaria não parava, as crianças no quarto, o marido e o amante entrelaçados num banho sangrento, a vizinhança nada fazia porque os terrenos em volta foram comprados com o dinheiro que sobrara de seus patrimônios. Não fariam nada com o terreno, apenas queriam ter uma certeza de que seriam ricos para sempre. E eram. Não havia nada na terra do the sims que ela não fosse capaz de ter ou comprar. Mas era preciso um recomeço.

Primeiro subiu e acalmou as crianças. Fugiria dali, é verdade, mas precisava acalmá-las. Não gostava de choro nenhum. Aproveitou o baú de brinquedos de última geração e fez algumas brincadeiras com fantoches. Elas riram. Depois entrou no computador ligou o Youtube e fez elas assistirem o novo episódio de Hanna Montana, elas estavam felizes, dava para ver. Por fim, as pegou no colo com todo cuidado do mundo, e levou as meninas para piscina. - Essa água é uma deilcia né mamãe? - Sim, ela respondeu, calmamente.Não havia rádio por perto mas aquela música não saía de sua cabeça. Martelava, palpitava. Ela quase podia sentir as notas fluindo pela sua cabeça vazia. Empurrou as crianças na piscina e arrancou a escadinha. Sabia que elas precisavam de uma vida melhor e nada melhor como a morte.

Quando voltou para sala, quase não precisava terminar o serviço. Os dois homens estavam tão machucados que empurrar a estante em cima deles foi quase desperdício. Madeira maciça, comprada num brechó, 5000 reais. Chorou quando o vaso de cerâmica de sua vó partira no meio mas chorou mais ainda quando lembrou que sua avó não estava mais lá para brigar com ela por causa disso.

Só de brinks empurrou a tv de plasma em cima deles também. Deu risada, já estavam mortos. Subiu , tomou um banho, se trocou e levou um jogo de talheres que custava aproximadamente 1200 reais. Trocou por duas passagens para uma cidade que ficava a 400km e dois meses depois ela era uma estagiária bem sucedida numa empresa de cotonetes.

Nunca vou jogar na megasena.

24 de jun. de 2010

A borboleta que morreu porque sabia voar

O casulo (ou crisálida) é um invólucro constituido por um material parecido com a seda construido por lagartas e algumas larvas de insectos.

Larva, inseto, cresce, se sufoca. Cria asas. Fica preso, escondido, do mundo. Fica lutando contra si mesmo, contra a vontade de se matar e a vontade de crescer. Nada explora. Pode ser que tenha mais um dia , pode ser que não. Pode ser que nada aconteça. E pode ser que aquele seja o último dia antes que ele voe. A espera é longa. Ele gosta do casulo. Lá é um lugar que ele passou os últimos 11 meses e tava tudo ok. Dentro do que podia estar. Era um lugar seguro. Não tinham os bichos lá fora e nem os problemas que perturbam e o fazem passar noites em claro sem dormir. Era seguro. Era depressivo também, é verdade. Mas era seguro. Ali ele não feria ninguém a não ser ele mesmo. E quanto a isso não tinha problema porque ele já estava tempo demais acostumado a fazer isso. Toc, toc. Nunca ouvira aquele barulho antes. Fazia alguns anos que não ouvia um barulho daquela altura, um barulho que lembrava um tempo que ele não viveu, mas que sabia que poderia existir em algum lugar, porque havia lido em algum lugar sobre isso. Esse barulho tinha o som necessário para fazê-lo querer sair dali e ouvir. Ele desejou por uma semana inteira e fez força suficiente para sair.Quebrou. E se assustou com o que tinha lá fora. Era claro demais e seus olhos arderam. Ele tentou abrir as asas mas uma delas estava quebrada. Ele não sabia naquele momento, mas ele jamais teria sobrevivido não fosse aquele barulho. A asa quebrada era porque ele tinha desistido de lutar, de viver. Ele não tinha mais forças e sua asa estava quebrada. Mas o barulho tinha som, tinha nome, e tinha corpo. E esse barulho o alimentou por uma semana até que lhe fosse permitido voar.
Voar era a coisa mais bonita que ele já havia visto. Ele podia visitar todos os lugares ao mesmo tempo sem pertencer a nenhum, porque isso era liberdade. Nada que ele havia lido ou que haviam dito a ele era liberdade. Apenas estar em todos os lugares, quase como se fosse onipresente, quase como se fosse várias pessoas ao mesmo tempo. Quase se fosse feliz. Mas ele não sabia que ao voar, aquele barulho tinha dado uma asa e tinha ficado machucado. Ele não sabia naquela hora. Ele soube depois. E o barulho não conseguia mais voar e de repente tudo pareceu não fazer mais sentido. Como continuar voando se não poderiam voar juntos? Como continuar feliz se o barulho não estava. Aquele barulho maldito precisava voar também. E você sentia raiva. E você sentia todos os sentimentos do mundo. Porque ter o melhor e o pior dia no mesmo mês não é para qualquer um , não. E você sabia que precisava fazer uma escolha. E você sabia que você já tinha vivenciado coisas demais. Aquilo não era para você, são para as pessoas que sabiam lidar. Você só tinha uma opção: voltar para o casulo. Voltar para aquilo que é fácil, que você conhece bem e que não precisa lidar com ninguém porque a única pessoa que você magoa é aquela que merece ser magoada.

Dai é só esperar o casulo te sufocar e você morrer lentamente...

4 de jun. de 2010

Marcas

Lembro quando aos dez anos de idade era ok pegar o estilete e riscar um ELE torto no braço para homenagear o Léo DiCaprio, na época, um ídolo. Não por Titanic, mas por What's Eating Gilbert Grape, a primeira grande atuação do Léo. Na minha cabeça, pelo menos. Eu até tentei, sabe. Minha mãe tinha um estilete Eu fiquei refletindo várias horas na frente do espelho. Eu fiquei pensando "Mas eu vou ter essa marca pro resto da vida, e eu não sei se vou gostar do Léo pro resto da minha vida".
Eu só tinha dez anos e já estava preocupada com o tanto de tempo que duraria aquela marca e como eu lidaria no futuro com essa marca. Eu nem sabia se eu ia ser atropelada no dia seguinte e minha vida acabaria assim, mas eu já me preocupava com essa pequena marca no meu braço. Eu me casaria? Eu teria filhos? E um dia, quando eles crescessem, eu diria "meus amores, eu trouxe de presenta para vocês esse estilete da mamãe. Quando vocês estiverem prontos, iremos nos reunir numa salinha cada um com uma foto do seu ídolo favorito e nos cortaremos juntos, unidos pelo sangue, unidos nessa família linda".
O Léo cresceu , fez Catch Me If You Can, Blood Diamond, The Departed e porque não The Aviator, afinal de contas nem todo mundo é perfeito. Eu cresci e conheci outras pessoas. Conheci Woody Allen por exemplo. Um W seria ok porque eu poderia dizer que é o M de Marina ao contrário e as pessoas acreditariam porque ninguém acha que uma criança seria retardada o suficiente para fazer um W de Woody Allen na mão.
Então eu desenhei com uma caneta qualquer um ele torto, joguei ketchup e tirei uma foto. Eu só tinha dez anos e já sabia fingir marcas. E já fazia as pessoas acreditarem. O tempo passa e você aprende a manipular sentimentos, emoções, pessoas. Aprende a lidar com elas, a brincar com elas. E elas fazem o mesmo com você. A diferença é que a marca da gilete é muito maior que a marca que fica sem marca. É mais superficial. Você põe uma blusa por cima, põe uma luva e ela some.Outras marcas não são tapadas por blusas.E tem umas que sujam mais que ketchup.

20 de mai. de 2010

O Mistério dos Cardápios

Existe alguma coisa de muito errada com os restaurantes de São Paulo. Preste bastante atenção quando estiver em algum. Estou falando da agilidade que os garçons tem de tirar o cardápio da sua mão logo que você termina de fazer o pedido como quem tem uma bomba presa na cintura esperando para ser explodida.

É uma puta falta de sacanagem (quem entendeu me add) porque se durante o jantar você sentir necessidade de pedir alguma coisa diferente você tem que esperar os garçons passarem de novo pela sua mesa e quem mora em São Paulo sabe que um garçom tem itinerário de 5 a 10 minutos e ás vezes, dependendo do tráfico do restaurante, ele só consegue chegar a tempo de você perder a fome.

E quando você sai com aquela gata e tudo que ela faz é abrir aquela boca (linda, sorriso lindo, dentes brancos, você se pergunta se ela vai ao dentista desde nova, se usou aparelho na infância, na verdade você não se pergunta nada porque a única coisa que você imagina é ela mordendo seu pescoço no final do jantar mas você finge que se importa com o fato dela ser saudável e escovar os dentes porque de alguma forma contribuiu para esse sorriso lindo e aí você não precisa ter nojo de ficar olhando para boca dela do mesmo jeito que você tem de olhar para a boca da sua vizinha porque sempre tem um feijão escapando em algum canto ou uma sujeirinha esquisita ou até mesmo um fio dental da semana anterior que ela esqueceu de tirar) e falar merda e você nem pode por o cardápio na frente para fingir que está ouvindo o que ela está dizendo enquanto balança a cabeça e começa a fazer uma brincadeira mental de quantas vezes aparece a palavra ervilha no cardápio ou como seria misturar uma lasanha com essa sobremesa diferente enquanto a biscate não pára de falar.

E chega a conta no final e você paga uma nota pelo prato e ainda tem os 10% do garçom que você não sabe se já virou 20% ou 30% dependendo do lugar que você mora ou do político que te rouba e você não acompanha jornal porque você só assiste videolog para ficar por dentro dos memes então você apenas supõe que tem que pagar uma certa quantia para os garçons e você aceita qualquer valor que vem mas a única coisa que você não entende é como com aquele preço dos pratos aquela sofisticação da culinária aquele lustre folheado a ouro e aquele terno armani do dono do restaurante porque raios eles não tem dinheiro suficiente para pedir uma terceira cópia de cardápios naquela gráfica vagabunda e disponibilizar um cardápio para cada cliente deixando assim a pessoa á vontade para utilizá-lo a hora que preferir e quem sabe garantir umazinha depois da janta com aquela gata que não pára de falar?

10 de mai. de 2010

Manual de como tomar a iniciativa parte I

CARA, isso é MUITO OLD. Foi postado no Orkut em meados de 2008 numa comunidade para tímidos. Costumava dar umas dicas por lá e um amigo mandou para mim por email hoje e eu nem lembrava mais que tinha postado isso. Enfim, resolvi repostá-lo com algumas considerações atuais. Se ajudar alguém já valeu alguma coisa :P
Manual de como tomar a iniciativa parte I

I - Você já conhece a menina! (caso não, pule pro setor II - adendo: acho que esse texto nunca foi criado)
Ok, você já a conhece. Do curso, da faculdade, de colégio, de amigos em comum?? Não importa de onde ou como, o que importa é que essa é a hora MAIS IMPORTANTE. Se você demorar muito, vão ficar amigos. E até existem garotas que ficam com amigos, mas o fato é que a maioria das garotas não fazem isso quando chega num estágio de amizade mioto avançada. Por exemplo, você é amigo dela há 1 ano e ela nem sonha que você é afim dela? Esqueça. A chance dela se apaixonar por você de repente é tão mínima que chega a 0,00000001%. Se fosse pra se apaixonar, já teria acontecido. A não ser que:
a) Ela demonstre alguma coisa.Demonstrar não significa ser carinhosa. Preste atenção como ela é com você e com outros amigos dela. Se for da mesma forma, então provavelmente não é nada demais.
b) Ela estivesse namorando quando vocês se conheceram, ou você estivesse namorando.Nesse caso, é mais que normal que ela não tenha dado bola porque namorava. Ou você. Assim que ambos estiverem solteiros, perceba como é o desenrolar da história. Se achar que a coisa fica íntima, talvez role sim, mesmo a amizade sendo grande.
Acontece que, mesmo assim, você ainda gosta dela e acredita que tem chances. Ou não acredita mas não consegue parar de gostar dela. Você não pode simplesmente se conformar e sofrer pro resto da vida sem nunca ter certeza do que ela sente por você, não é justo. Quando se trata de relacionamentos quanto mais a gente procrastina pior.Precisamos resolvê-lo.

MEDO DO RIDÍCULO
“E se ela espalhar?E se ela sair contando pra todo mundo? ”. Ok, ela pode fazer isso. Mas leia novamente... quem você acha que ta fazendo papel de ridículo nessa história? No mais, não interessa o que as pessoas digam a respeito disso. Você não roubou, não matou ninguém, só se apaixonou por uma fdp. Isso acontece, e é melhor ter vergonha de gostar de uma vaca do que ter vergonha de ter sido corajoso o suficiente para dizer a uma pessoa o que sente por ela.
Ps: Respeito é fundamental, e se ela não tem por você, melhor ainda porque te poupa tempo de se envolver com alguém idiota.
MEDO DE PERDER AMIZADE
Ok. É mais que normal ter esse tipo de medo. Só que se você não consegue DE JEITO NENHUM esquecer a garota, ou você vai passar a vida toda sofrendo ou vai ter que falar com ela. A amizade só vai acabar se vocês não forem sinceros um com o outro e/ou rolar infantilidade de alguma parte. Um tempo na amizade vai ter que rolar mesmo, porque se vocês não ficarem juntos, você vai precisar de um tempo para esquecê-la e seguir em frente. Mas depois de um tempo as coisas seguem o fluxo e a amizade pode voltar ao que era antes. Ai você pergunta “E se não voltar?” Bem, se não voltar, será que essa amizade valia mesmo a pena? Quando vale, quando as pessoas se gostam independente de qualquer problema que possa vir a ter em relação a sentimento, a amizade continua. Sei disso por experiência própria e também por observação de pessoas próximas de mim. Existe e é possível sim continuar amizade não dando certo o relacionamento.
DECLARANDO O AMOR PARA SUA AMIGA: Você está prestes a dizer pra guria que você mais gosta o que sente por ela. Vamos lá:
Passo 1: O QUE VOCÊ NÃO DEVE FAZER.
a) Mandar flores /carta/ carro de som . Por mais que seja mais fácil mandar um e-mail, ou falar por MSN, o melhor é falar cara a cara. Mas ai é você quem decide, o importante é você conhecer a menina bastante antes de fazê-lo, e procurar saber se ela vai levá-lo a sério ou dar risada da tua cara ou qualquer coisa do tipo. Mas MSN e e-mail ainda é melhor que carro de som ou flores ou cartas. adendo: quando eu disse que é muito melhor eu quis dizer que é a única coisa aceitável porque carro de som e flores não são aceitáveis beijos.

b) Pressioná-la. Lembre-se que você pode gostar da guria durante anos e ela nem sonhar com isso. Ou saber e não falar nada. O que é pior, porque se ela sabe e não fala nada provavelmente é porque não rola. Mas enfim, tentar beijá-la de repente pode ser arriscado demais. Se ela não souber, vai precisar de um tempo pra assimilar e te responder. O fato é que se ela sentir o mesmo por você, ela saberá a resposta o mais rápido possível.
c) Colocá-la no pedestal.Nada de drama, de dizer que acha que não a merece, que ela é areia demais pra você, que ela é isso e aquilo outro. Se você a torna intocável, ela será sempre intocável, e ai é que você nunca terá chances mesmo. Lembre-se que ela é uma guria como qualquer outra.
PASSO 2: O QUE VOCÊ DEVE FAZER.
Chame ela pra conversar, a sós. Diga pra ela da forma que achar melhor, com suas palavras. Se precisar decorar, decore, mas no decorrer você acaba esquecendo tudo e agindo como tem de agir.
PASSO 3: A REAÇÃO.
Ela pode reagir de diferentes formas, tipo feliz, indiferente, assustada. Dê tempo necessário a ela para engolir toda a história e pensar em como responder pra você.
NO CASO DELA SENTIR O MESMO: Chega de papo e mãos à obra .
NO CASO DELA NÃO SENTIR O MESMO:
Talvez doa muito, talvez pouco, talvez doa o ego, talvez doa o fato de ter desperdiçado tanto tempo e de repente acabar numa forma ruim. Não importa, vai doer. Não é o fim do mundo, nem da amizade. Diga a ela que você compreende, que deseja toda a felicidade a ela, que vai precisar de um tempo para esquecer, mas que não vai ignorá-la, porque afinal de contas vocês são amigos. Não é o fim do mundo. Você ainda vai conhecer milhares de pessoas, ainda vai sofrer por muitas, ainda vai fazer muitos sofrerem, acredite. Tem muita gente no mundo pra você acreditar que apenas uma é a sua alma-gêmea. Dos males, o menor. Antes você vivia sofrendo em dúvida, agora VOCÊ SABE. É meio caminho para superação e encontrar outra pessoa.Ninguém é insubstituível. Ainda que tenha sido um resultado ruim pra você, não existem dúvidas: ela não quer nada com você.

Logo você tem quatro estágios para cumprir:
1º estágio - A dor : Curta sua dor. Encontre sua melhor maneira de extravasar seus sentimentos, chore o quanto for necessário. Procure ela no Last.FM e escute as mesmas músicas como se tivessem num corpo só (desculpa, isso é tão ridículo que eu to rindo sozinha). Sofra, chore, seja ridículo. Sinta a dor do jeito que ela vier.
2º estágio – A solidão: Não fique muito tempo sozinho. Além de ficarmos altamente depressivos, pensamos muitas besteiras, é mais difícil se recompor. Mas dê um tempo a si mesmo para refletir a respeito de tudo. Existe um momento em que tudo que amigos fazem é atrapalhar.
3º estágio – A volta por cima: Se apóie nas pessoas que ama. Se apóie nos amigos. Não costumo desabafar com amigos (por dificuldade minha mesmo) mas caso você tenha um amigo confiável, e precisar desabafar, não deixe de fazê-lo. Eu “uso“ meus amigos de outra forma: saindo com eles. Ainda que você saia com teus amigos, ria pra caralho, divirta-se e quando voltar em casa se trancar um quarto e chorar, não desista. Saia sempre que te convidarem, deixe ser distraído por eles, divertir, de modo que aos poucos você acabe esquecendo da dor até o momento que não lembrar mais dela.
4º estágio – Egoísmo: Não, não é pra você se trancar em casa com a sua bola de futebol e não deixar ninguém jogar. É pra pensar mais em você mesmo. Se dê o direito de se mimar um pouco. Divirta-se mais, saia mais, faça aquela viagem que você morre de vontade, tire um dia para assistir todos os filmes que você mais gosta, mate aula um dia para ficar em casa até mais tarde, compre um pote de sorvete e coma inteiro com a colher em apenas meia-hora. Claro que com responsabilidade e sem exageros, apenas uma coisa que você não tenha o hábito de fazer .
Duração dos estágios: Não existe tempo certo para cada estágio. Pode ser que você tenha algumas recaídas e a procure, pode ser que você consiga esquecê-la logo, não existe uma regra certa. O certo é que com otimismo e força de vontade (e bons amigos por perto), a medida que você vai vivendo mais experiências, os estágios tendem a demorar menos cada vez mais. Bom, escrevi correndo aqui com base um pouco nas minhas experiências, no que eu aprendi com algumas pessoas, então não tem certo nem errado, só umas teses mai-o-meno formuladas.
Espero que curtam : )

5 de mai. de 2010

Roteiro de como passar 1 semana em São Paulo.

Quinta-feira

~madrugada~

Sua filha passa mal de novo e você corre para o hospital o pneu fura você liga para o seguro do carro enquanto isso você liga para o táxi levar sua filha sua mulher vai junto você fica sozinho passa uns moleque na rua mas não fazem nada arrumam o carro você chega no hospital sua filha está bem vocês vão para casa a playboy da Anamara saiu e tá tudo bem agora

Sexta-feira
Sexta-feira você acorda com aquela música detestável do Akon que toca no celular da sua filha avisando que ela tem balé clássico ás 06h40 mas você a impede porque ela está se recuperando e ela briga com você, fica emburrada e se tranca no quarto e sua esposa pede para você ser mais delicado e você se pergunta qual seria o nível de delicadeza com alguém que tem quinze anos e o quarto da Hellokitty e sua esposa diz que também tinha o quarto da Hellokitty quando era mais nova e você diz que não sabia que a Hellokitty existia há tanto tempo assim e sua esposa chora e você não sabe o porquê e quando vai ao escritório consulta o calendário de menstruação de sua esposa que, a pedido do médico, deixou um salvo para cada integrante da família não contrariá-la nas épocas de TPM e descobre que não está naqueles dias então você se pergunta se chegou naquela época da vida em que todos os dias são dias de TPM e você pára de pensar porque acabou de imaginar sua vida como o The Sims e um quartinho semi-construído no quintal da casa pegando fogo e consumindo sua esposa e sua filha ao mesmo tempo.

Porque seu filho é demais, né.

Seu filho é demais porque ele passa quase o tempo todo jogando vídeo-game então vocês quase não se falam e aí não tem que estressar por nada mas você sente inveja do seu filho porque você queria passar o dia inteiro no vídeo-game mas sua mulher te proibiu desde aquela vez que você ensinou diferentes palavrões pros filhos do vizinho do condomínio que vocês moram.

Ás 06h20 tem café da manã prontinho na mesa tem pão presunto toddynho manteiga margarina e melão de sobremesa porque sua esposa viu no Globo Repórter da semana passada que o melão era a nova maçã e que todas as pessoas poderiam abusar dela agora e você se pergunta se um dia o Globo Repórter vai dizer que o sexo é o novo melão, mas você se arrepende de ter pensado isso porque foi muito cruel e engole o último pedaço do seu pão.

A saída do condomínio está tumultuada e você se estressa porque tem apenas 12 saídas para um condomínio de 3000 pessoas e todas resolvem sair no horário que você sai ou pelo menos é a impressão que você tem já que você sai sempre no mesmo horário e você pega todos os atalhos que conhece mas a entrada da Avenida Paulista está parada e você se conecta ao foursquare para fazer o check-in no prédio em que você trabalha porque seu amigo já é mayor e tudo que você quer fazer é ganhar dele assim como ele já completou o álbum de figurinhas da copa antes de você e também comprou o Ipad para esposa dele antes mesmo que você recebesse o 13º.

Você liga o rádio para passar o tempo e escuta que estão fazendo mais uma manifestação na Avenida Paulista e você começa a xingar alto porque tem uma reunião em menos de 30 minutos e isso significa que você está mais longe daquela promoção que você está tentando receber desde o ano passado quando aquele seu amigo fez um curso em NY de dois meses porque ele é solteiro e pode gastar todo dinheiro para se realizar profissionalmente e você não pode porque sua filha acha bem importante comprar aplicativos do Justin Bieber para o Iphone dela.

Milagrosamente a fila anda e você pára no primeiro estacionamento que encontra e corre rumo a estação Clínicas porque se você quer estar em um lugar rápido e não possui um helicóptero a sua alternativa mais viável é ir de metrô e você esqueceu o bilhete único porque você deixa em casa só para os momentos de urgência e para criar outro é preciso gastar míseros 20 reais e você não tem porque desde 2002 quando você fez um cartão de crédito você não consegue mais usar dinheiro na rua e você começa a procurar moedas soltas na carteira e reza para que um milagre aconteça e você junte dois e tantos reais para comprar uma passagem de metrô mas

milagres não acontecem.

Então você volta para o estacionamento puto da vida porque também não tem dinheiro para o estacionamento e você usa o cartão de crédito para pagar 9 reais por ter parado o carro por 15 minutos e você tenta argumentar mas o cara só aponta a placa que diz "15 min a 1 hora - 9 reais"e por um momento você mentaliza aquele jogo que se filho adora jogar o GTA - Vice Sity ou San Andreas você não se lembra porque você jogou muito pouco e você atropela mentalmente o vigia do estacionamento e faz aquela coisa que seu filho faz e que é muito engraçado, você mentalmente rouba o dinheiro do corpo caído no chão.

O que você não sabe é que seu filho roubou uma caneta BIC azul na vendinha da esquina ontem e ficou se gabando para os amigos num tópico em anônimo na comunidade do Orkut E então você chega 1h30 atrasado para a reunião e seu chefe pergunta se você veio para a janta e você abre aquele sorrisinho amarelo e se segura muito para não gritar que a sobremesa era a puta da mãe dele, e enquanto imagina gritando isso seu sorriso começa a ficar mais interessante e tá tudo bem agora.

O horário como sempre demora para passar porque Sexta-feira é sempre um tormento e seu chefe sempre segura vocês até mais tarde porque é rodízio do carro dele e ele tem que ficar esperando até ás 20h00 mesmo e aí você se pergunta como alguém pode ser tão mongolóide de colocar rodízio de carro numa Sexta-feira a noite e você gosta de lembrar disso quando seu chefe te irrita tanto e você não tem nada para reclamar dele.

Então você demora 1h30 para chegar em casa e quando chega sua esposa está no Skype com a mãe e a irmã dela e isso significa que você terá umas 2h~3h de sossego, sua filha está trancada no quarto lendo algum livro de Jane Austen e ouvindo alguma música da Regina Spektor e seu filho está na sala jogando aquele jogo de zumbis de novo e você abre a geladeira e só tem China-in-box e você odeia comida chinesa então você pega uma embalagem de miojo e começa a preparar e então antes de jogar no lixo você observa que a validade já passou então você resolve dar uma limpa no armário e descobre que metade dos ingredientes estão com a validade vencida então você se pergunta que tipo de esposa deixa os alimentos vencerem e você mesmo responde "do tipo que trabalha".

Então você vai até o quarto da sua filha, abre o frigobar dela e pega uma caixa de BIS e o detona enquanto assiste mais um episódio de Balls of Steel e então você se lembra de algo, levanta da sala , pega o pendrive com as fotos da Anamara e se tranca no seu quarto pelo resto da noite.
...

[Acompanhe a série Roteiro de como passar 1 semana em SP:
Segunda-feira: http://migre.me/C7rU
Terça-feira: http://migre.me/C7st
Quarta-feira: http://migre.me/C7t1
Quinta-feira: http://migre.me/C7to ]

22 de abr. de 2010

Anseios de uma alma feminina - capítulo 9

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Esse texto é o nono capítulo do livro "Anseios de uma alma feminina" - nome temporário - em breve disponibilizarei todos os capítulos aqui :D
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- Alô
- Vai, rápido, um país com G
- hmm... Groenlandia
- Groenlandia é país?
- Sei lá?
- Eu gosto de lá
- Você nem conhece!
-..eu gosto de conquistar lá quando jogo War. Sempre é fronteira para América do Norte ou para a Europa
- Eu odeio War
- Você odeia porque sempre perde
- Não é verdade
- É sim
- Tá, é. Mas não tem graça também. Quer dizer... qual a idéia , afinal? Você tem esse monte de territórios que podem ser conquistados e em cada lugar tem uma cultura diferente uma tribo diferente uma natureza diferente e o cara quer que a gente acredite que tudo isso pod ser destruído ou conquistado com.... dados? Imagine quão idiota seria se todas as guerras fossem divididas nos dados? Quantas pesso estariam vivas, não existiriam mutilados na guerra, não existiriam heróis, não existiriam pessoas que tem fetiches com mutilados
-... existem pessoas que tem fetiches com mutilados?
- Existem pessoas de todos os tipos
- Existe gente que não gosta de jogar porque sempre perde
- Lá vem você de novo outra vez
- Desculpa
- tudo bem
- Mentira sua.Você sempre diz isso mas blablabla

Ela não disse blablabla aqui, sabe. Quando eu senti que ela começaria a brigar liguei a televisão e comecei a prestar atenção no filme que tava passando: O Preço de um Resgate. É um bom filme, pena que reprisa oitocentas vezes na SKY. E é odioso reprisar sempre o mesmo filme porque você acaba pegando raiva, tipo quando você coloca sua música preferida como despertador e quando vê não consegue ouvi-la mais.

-... mas se você acha que é melhor assim, você pode simplesmente...

Meu Deus, ela ainda tá falando. Ela poderia falar por horas e horas sem perceber que eu não estou prestando atenção. Ou talvez ela saiba. Talvez ela esteja me testando. meu Deus, ela poderia estar me testando. É a cara dela fazer isso. Ou talvez eu só esteja desesperado demais tentando encontrar um defeito nela.E ela parecia tão legal quando a conheci...mas fica um pouco difícil gostar dela quando ela fez questão de brigar comigo no meu aniversário só porque viu um reply de alguma garota mais bonita que ela.

-.. e assim, fica a seu critério , acontece que
- Amanda
- Oi?
- Desculpa, tá. Eu só queria ficar tranquilo com você, a culpa é minha.
- Você tá falando sério ou da boca para fora?
Da boca para fora
- to falado sério.
- Isso significa muito para mim
- Que bom

E a gente desliga o telefone. Entediado, volto para o filme. Ainda não tá na parte que o menino morre. Brincadeira, eu não lembro o final. Para ser sincero não consigo me lembrar se já assisti esse filme mesmo ou se era um similar. Ás vezes todos os filmes parecem tão iguais. Ou talvez eu só não tenha muito saco para assistir filmes já que ..

o telefone toca de novo

- Alô
- Porque você escolheu Groelândia?

É ela, de novo.

- Ué, sei lá, foi o primeio nome que veio a minha cabeça
- Mentira
Pronto, lá vai ela outa vez
- Ok, porque eu escolhi Groelândia?
- Isso é tão típico
- O que?- Isso é típico de virginiano
- Mas eu sou de capricórnio
- Viu só? Capricórnios sempre mudam de assunto
- Ok, você quer saber porque eu escolhi a Groelândia?
- Quero
- Porque lá que fica a casa do papai noel

Silêncio

- Que?, ela pergunta, do outro lado
- É lá que mora o papai-noel, eu repito, agora um pouco mais alto.
- Gente...
- É verdade, eu li no G1, no Planeta Bizarro
- Papai Noel não existe
- Mas se existisse, é lá que ele ficaria
- Isso não faz o menor sentido. Ele é gordo e sedentário, jamais moraria tão longe
- Porque?
- Ué , porque ele precisaria deslocar muito para ir para os outros lugares. É tipo falar que o Papai Noel moraria em Curitiba. Não, ele moraria em SP porque tem ponte aérea e é um dos locais que tem mais fácil acesso a qualquer estado do país
- Mas não é como se ele entregasse os próprios presentes, não é mesmo
- Claro que não, mas mesmo os caminhões precisam de boas estradas. O rodoanel está pronto, e ...
- Você já ouviu falar de ..
- Não me corta!
- Você acabou de me cortar!
- Porque você me cortou antes
- Ok, fala você então.
- Agora não quero
- Ai meu saco.. então, tem uma empresa de transporte e mudanças de Minas Gerais que vira e mexe passava pela Fernão Dias. Toda vez que eu viajo pelo menos um caminhão desses tá na estrada. De forma que inventamos uma teoria de que a viagem sempre correrá bem se tiver um desse circulando por aí
- E se tiver dois?
- A viagem será melhor ainda
- E se tiver um do lado contrário? Cancela?
- Não fala merda,não existe sorte cancelada...
- Amor, tenho que ir agora, to atrasada para faculdade.
- Você vai hoje?
- Não, to mentindo para você, idiota.
- Tá vendo? Por essas e outras que você não merece saber porque eu escolhi Groelândia

7 de abr. de 2010

Sobre meninos bonzinhos, piranhas e Taylor Swift

Era uma vez o Pedro, 20 anos, Ana Carolina, 19, e Luiz Augusto, 21. Ela é uma daquelas garotas que você pode dizer que casaria com ela. Não porque ela tenha atributos, não porque ela seja inteligente, não porque ela é do tipo que cuida de você quando tá doente, mas porque ela é gostosa. Ana Carolina era muito gostosa. Qualquer um que passava perto dela sabia dizer isso. Seu vizinho sabia disso. Ela sabia disso. Era preciso dizer: todos sabiam disso.

Não era um triângulo amoroso, não é mais uma história Dona Flor e seus dois maridos. Essa é apenas uma daquelas histórias que você poderia trocar o nome do protagonista pelo seu em algum determinado momento da sua vida porque quase todos passaram por isso. Essa é uma daquelas histórias que apenas um dos dois ficam com a mocinha no final.

Eles estudam na mesma faculdade há 6 meses. Desde o primeiro dia de aula ele a olhou e se apaixonou. Passou 2 meses encontrando coragem para chegar nela. Nesses 2 meses limitou-se a jogar vídeo-game, assistir alguns filmes, tocar na sua bandinha de rua e abrir um tópico em anônimo no Orkut pedindo dicas de como chegar na princesa. Criou tanta expectativa e narrou para si mesmo tantas vezes como seria a abordagem que virou um roteiro que sabia de cor. Não teria como errar, não teria como se enganar. Uma amiga disse "Você é divertido, gente boa, porque ela não ia querer você?" e você acreditou, porque você era mesmo. Embora Ana fosse caminhãozinho demais para você.

- Não
- Não?
- Sinto muito
- Sente?
- Na verdade, não?
- Hum...

E você vira a página daquele roteiro decorado e não encontra uma ação que corresponda a resposta que ela te deu. Nada parece fazer sentido. Então você a vê beijando aquele Luiz Augusto que usa gel, ouve Taylor Swift e tem uma Tukson estacionada na garagem. Nervoso, você volta para a sua casa e finaliza o tópico dizendo que ela é mais uma daquelas piranhas que só queriam ficar com caras que tem carro.

Porque a vida é assim.

Não, cara, não é.

A vida é mais que isso.

Ás vezes ela até poderia gostar de você. Se ela te conhecesse, claro. Se ela entrasse na sua vida. Se tudo que vocês não trocassem fossem apenas palavras de educação porque estudam na mesma universidade. Se ao menos uma vez ela precisasse de alguém e pensasse em ligar para você. Se ela te ligasse apenas para falar de um filme. Mas como ela saberia? Ela nunca te conheceu. Você nunca permitiu. Você a colocou num pedestal TÃO IMENSO que nem você conseguiu alcançar. E ela ficou lá, perdida, sem te conhecer, sem ao menos saber como você era de verdade e provocando uma raiva tão grande em você sem nunca ter feito nada para merecer isso.

Não importa o quanto você se importa com alguém, se você se importa de verdade, não deseja o mal, mesmo que ela não queira nada com você. Porque você entende, no fundo, que nem todas pessoas no mundo vão querer você, assim como você não vai querer todos aqueles que te desejarem ao longo da vida. E quanto mais cedo você souber disso, mais fácil fica superar e move on.

A vida não é se apaixonar por uma menina que você nunca viu na vida só porque é gostosa. A vida não é confundir tesão com paixão e por a culpa na pessoa depois. A vida não é "só fiquei com aquele cara porque ele tinha carro e você não". Ás vezes a vida é mais que isso. Ás vezes, só algumas vezes, você se precipitou e estragou algo que poderia até ser legal. Ás vezes um homem bonzinho é só um homem fútil que se apaixonou pelo primeiro corpinho bonito que viu e agora quer obrigar a outra pessoa a sentir o mesmo por ele usando como desculpa, como muleta um sentimento que era para ser bonito e acaba se tornando medíocre.

Definitivamente, a vida não é xingar de piranha alguém que você se importou um dia.

30 de mar. de 2010

Brilho Eterno De Um Cabelo Paulistano

Sábado não tem fila no metrô. Você pode acordar a hora que quiser e testar isso, eu já testei. Eu não faço muita coisa no Sábado. Eu não fazia, na verdade. Eu costumava ser solteira, né. E dentro de algumas horas eu seria novamente. Eu estava indo para uma consulta que mudaria toda a minha vida. Eu já havia tentado de tudo, sabe. Eu tentei encontrar outra pessoa, eu tentei sair de casa, eu tentei jogar todas suas memórias fora. Mas não dava, não. Eu simplesmente não conseguia esquecer o Joe.

O J. é desses caras maravilhosos que você passa a vida toda desejando conhecer. Quer dizer, quando eu tinha uns catorze anos e fazia testes na Capricho sempre dizia que eu era alguém apaixonada, disposta a casar cedo. Mas não aconteceu. Sempre pus a culpa na Revista. Eu? Fazia nada errado. É verdade que eu era um pouco diferente, vai. Mas nada que prejudicasse muito o andamento de uma conversa, por exemplo.

Eu podia falar sobre tudo. Absolutamente qualquer coisa.Talvez não poderia falar sobre ações no mercado de abelhas, mas eu nunca conheci alguém que soubesse disso, realmente. De modo que eu poderia simplesmente fingir e comentar algo por cima como "Já estive próxima de méis que me fizeram duvidar do bom senso do mercado". Eu poderia, é claro. Eu já tinha feito isso, inclusive.

O metrô fazia muito barulho e agora eu só conseguia me preocupar em não sacudir muito a caixa. Fui alertada para isso. Dei mais um nó na sacola e guardei junto ao meu colo. As pessoas me olhavam, curiosa, o que essa garota de cabelo azul faz segurando essa sacola tão preciosa.Sim, meu cabelo era azul. Gostava de pintar quando algum relacionamento meu acabava, para marcar uma fase da vida. Que nada. Gostava de pintar porque era louca, mesmo.

Eu tinha um encontro. Na verdade, era um compromisso. Eu estava indo pintar meu cabelo de laranja, porque um novo relacionamento tinha acabado. Eu não lembrava muito dele, na verdade. Sabia que tinha me magoado muito de tal forma que não tocava no assunto para poder seguir em frente. E não era fácil, é verdade, mas eu estava fazendo o que podia. E era sempre o que eu fazia.

Então desci do vagão e saí correndo para a escada rolante porque estava com pressa e esbarrei num cara qualquer e

Dia dos namorados. Odeio dia dos namorados. Tudo que eu precisava era fugir daquele dia, fugir para algum lugar. Eu precisava me encontrar. Lembro que minha mãe me disse uma vez que quando não sabemos a resposta de alguma coisa, nós buscamos no local de origem. E minha mãe e meu pai tinham transado no Parque Ibirapuera, então achei que seria ok ir lá dar um pulo.

Era uma tarde de Sábado quente, sabe. Eu poderia pedalar, andar de bicicleta, sei lá. Talvez um piquenique? É verdade que tinha uma rosca gostosa na padaria na esquina da minha casa mas eu já estava meio longe de lá. E cansado. Eu não queria voltar até lá, não é possível que não tivesse roscas gostosas em outro lugar dessa cidade. Talvez esse fosse meu grande objetivo de hoje, talvez tudo que eu precisasse era encontrar uma rosca gostosa e comê-la no parque.

Ou talvez esse tenha sido o pensamento mais patético de toda a minha vida.

A vida passa num piscar de olhos e eu pareço meu pai falando. Eu já tenho 34 anos, sabe. A bem da verdade é que eu não faço idéia da minha idade. Digo isso porque minha mãe me registrou numa data diferent da que eu nasci, porque o cartório ficava longe e ela tava com preguiça. Mas em algum lugar da minha carteira está anotado perai deixa eu ach

- CARALHO, OLHA ONDE ANDA

A moça mais linda gritou comigo. Tão linda que não consegui sentir raiva.

- Desculpe, é que eu...

- Tudo bem, tudo bem, eu não queria ter dito isso também. Ela sorriu. O sorriso mais lindo que eu já tinha visto. E então eu esqueci a rosca, o parque, a minha mãe e o meu pai tocando uma pra vizinha. Ah, eu não tinha contado essa história? Bom, deixa para depois. O importante eram aqueles olhos lindos, aquele cabelo liso, e azul. E como brilhava. Antes de deixá-la embora, eu tinha que saber. Eu precisava perguntar. E foi o que eu fiz. E ela respondeu, quase gritando, correndo para as escadas]

- Meu nome? Meu nome é Clementine.


26 de mar. de 2010

O que você vai ser quando crescer

(esse provavelmente vai ser o post mais pessoal de todos que eu já fiz até hoje)

Ao reencontrar um garoto que eu não falava há anos (por anos entenda 8 anos), trocamos aquelas famosas frases "como você anda/onde está morando e o que anda fazendo". Fomos amigos de infância. Daqueles que você troca confidências e sonhos e segredinhos obscuros. Então eu respondi para ele e veio o choque. "Oi? Como assim ADMINISTRAÇÃO, eu imaginei que você fosse fazer jornalismo, artes cênicas, já tava esperando você na Globo, nas peças de teatro, não di...(...)" e eu dei aquela resposta educada que a gente costuma dar ou quando tá com pressa ou quando não fala do assunto
- Ah, eram coisas de criança, sabe como é, né, você queria ser fotógrafo, eu lembro bem. Como éramos bobos, não é mesmo. Eai o que você tá fazendo?
- Fotografia
A verdade é que qualquer pessoa que me conheceu até os meus 16 anos de idade teria certeza de que eu seguiria artes cênicas. Eu tinha certeza que eu faria artes cênicas. Eu já tinha decidido tudo mas então eu comecei a fazer teatro profissional e eu conheci um pouco dos bastidores. O que ganhávamos em peças mal dava para comprar uma água no intervalo. Tínhamos que economizar e o camarim era um quadrado do tamanho banheiro da minha casa e tinha que caber sei lá 8 pessoas. Ok, era no interior. Mas já dava para conhecer um pouco, sabe.
O teatro ainda é uma parada não muito valorizada aqui. E eu soube enxergar isso cedo, e mudar de idéia rápido antes que eu me machucasse ou me iludisse em ganhar a vida com isso. NÃO QUE SEJA IMPOSSÍVEL, mas é uma luta que eu descobri na época do vestibular que eu não estava diposta a ir em frente. Lembro exatamente do dia em que eu decidi que não seguiria com esse meu sonho. Depois de muito pesquisar, pensar e discutir eu pensei "po, eu não preciso parar o teatro para ganhar dinheiro, posso continuar atuando sem me preocupar com despesas uma vez que garantiria a vida com algum outro emprego qualquer". É a junção ideal.
Não odeio administração, pelo contrário. Me encontrei num curso que tem tudo a ver comigo e me abre possibilidades para diversas áreas em diferentes empresas. Mesmo com pouca experiência, tive oportunidade de trabalhar e conhecer boas empresas e ser valorizada em todos os cargos que ocupei. Eu, que sempre tive medo de não dar conta, de repente me vi exercendo funções que foram ficando fáceis ao longo do tempo.
Mas eu continuava vazia.
Mesmo tendo feito o pacto, passei 3~4 anos sem ir atrás de nenhum dos dois e em algum momento em que não me lembro bem, eu me perdi. O ócio ajudava, né. Estava desempregada e não encontrava estágio em lugar nenhum. E eu não sabia como sair dessa situação. Muitas vezes eu ia dormir angustiada, com impressão de algo inacabado, e me afastei das pessoas, da minha família, namorado, colegas, de tudo. Eu fiquei sozinha, eu quis estar sozinha e eu nunca estive tão sozinha. E eu mergulhei num estado de depressão tão profunda que eu não me importava com mais nada, eu apenas contava os dias como quem conta o nº de feijão antes de preparar um almoço daqueles (eu não saberia dizer porque eu não cozinho, mas, né).
E de repente aconteceu. Assim como não sei precisar o exato momento em que perdi a fé não sei precisar o momento em que ela voltou. Talvez daqui um tempo eu entenda melhor mas agora ainda está embassado para mim. Arranjei um estágio, comecei a estudar Francês, voltei a escrever, voltei para a academia, me empolguei na faculdade e de repente tudo pareceu simples demais. Como se o tempo todo a resposta estivesse ali na minha frente mas eu estava cega demais para perceber.
E de repente, sentada numa livraria, folheando alguns livros de teatro, eu entendi. Não era uma coisa de criança. Drummond disse uma vez "Meu verso é minha consolação. Meu verso é minha cachaça. Todo mundo tem sua cachaça" e não poderia concordar mais. Eu tenho um dom. E nada me destrói mais do que não segui-lo. Eu estava certa aos 18 anos. Eu não precisava seguir carreira com teatro ou jornalismo. Mas eu errei em ignorar esses dois durantes esses anos como se fosse um capricho de criança, uma coisa qualquer.
E de repente tudo fez sentido. Comprei um livro de Bernard Shaw e, folheando, me permiti sentir todos aqueles sentimentos perdidos que me faltavam há anos. Senti saudade, ri, me encontrei.

Eu só tenho 23 anos.

E não existe absolutamente nada que eu não possa fazer.

19 de mar. de 2010

Canto para minha morte - ATA I

Eu já morri. Não tem nada aqui. Esse lance de anjos, demônios, asa-deltas e chocolate, não existe por aqui. Aqui a gente só tem tempo para pensar. A vida pós-morte é como o Poupa-tempo da Sé, onde nós, mortos, somos os funcionários públicos. Se você nunca foi lá, deixa eu descrever para você: um grande salão, cheio de pessoas fazendo absolutamente nada. Um alto ali tira uma sujeira do olho, a menina ri com a colega do nome da menina que acabou de sair dali querendo renovar o RG. Era Cleópatra da Silva, ela diz, entre risadas. E o nome dela, meus amigos, é Meridiana. O pai dela gostava de Geografia.

Mas não vamos falar de morte, esse assunto chato. Deixa eu contar um pouco da minha vida para vocês. Eu começaria a história com Once Upon a Time, mas não tem um príncipe (quiçá um anfíbio) ou mesmo uma madrasta. Não tinha inimigos, a bem da verdade nem amigos eu tive. Não que eu não fosse querida, sabe. Vamos colocar dessa maneira: se eu fosse a menina de vestido vermelho de A Lista de Shindler, o filme passaria num planeta onde todas as pessoas seriam vermelhas e eu passaria despercebida. Entendeu agora?

Essa era eu. Eu era bonita, sabe. Hoje, assim, de longe, eu consigo me enxergar bem. Eu era bem bonita. A pele clara, os olhos pretos, bem pretos, e o cabelo escorrido. Não fui castigada na puberdade com as espinhas, não passei pelo que a maioria dos adolescentes passaram. Eu não era feliz, também, mas isso ninguém sabia. Era um segredo que eu guardava só para mim. E eu guardava tão bem que ás vezes eu mesmo esquecia, e nesses momentos, nesses pequenos momentos, eu era feliz de verdade. Eu até ria.

Você deve estar se perguntando porque eu era triste, né. Acho que isso é algo que eu ainda não descobri, talvez seja por isso que eu esteja aqui, enfiada nessa lacuna infinita sem bebida, comida ou mesmo televisão a cabo, por Deus, eu daria qualquer coisa para ler Caras nesse momento: aquelas notícias inúteis sobre pessoas que você nunca vai conhecer e nunca quis saber sobre a vida delas, mas alguém fingiu que isso era interessante e o resto do mundo acreditou, sabe? As pessoas sabem mesmo ser esquisitas.

E o meu cabelo era bem colorido. Eu trocava de cores como quem troca de opinião a respeito de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Lembro até hoje a primeira vez que o vi, empolgada somente pela Kate Winslet. Jim Carrey é como uma lata de leite condensado que você come todos os dias durante 3 meses e depois nunca mais quer provar. Cansa, sabe. Pintar o meu cabelo não cansava, não. Eu gostava. Não era daquelas mulheres que pintavam porque estavam numa fase nova da vida, ou porque a minha casa de Saturno estava passeando pela de Marte e encontrou um cabelo branco por li e eu sou sagitariana e sagitarianos não foram feitos para pintar o cabelo.

Mas eu não estava nem aí. Eu ia no cabelereiro e apenas balançava a cabeça, porque ele era famoso e qualquer coisa que ele dissesse eu assentia sem pestanejar. Deve ser mais ou menos isso que as pessoas fazem quando não tem opinião, né? Aliás, gosto de como as pessoas confundem cores de cabelo com personalidade. "Nossa, cada mês você tá com uma cor diferente, quanta personalidade você tem". É engraçado porque eu queria responder "não é personalidade, sua idiota, é apenas meus cabelos brancos crescendo e eu preciso me desfazer deles", mas era mais engraçado ainda fingir que acreditava nisso. Eu não tinha opinião, mas as pessoas não precisavam saber disso, certo?

E a primeira vez que eu morri foi numa Quarta-feira no meio da semana enquanto eu fazia faxina em casa. Foi engraçado, porque eu juntava os livros para guardar numa estante quando encontrei o meu livro-step. Livro-step foi o nome que eu dei para um livro que eu acreditava que teria qualquer resposta para os problemas da minha vida. Quando algo dava errado eu simplesmente abria e lia algum parágrafo dele, de forma que nunca o li inteiro. Eu gostava dessa superstição e gostava do fato de poder me sentir mais leve e protegida por um pequeno objeto que se escondia no meu armário, como se ele fosse um tesouro perdido, desses que a gente vê na sessão da Tarde da Globo um grupo de fake-piratas tentando encontrar através de um mapa com um X imbecil num lado qualquer.

Então eu abri porque meu coração não aguentava de tanta pressão. Eu estava doente de tristeza, eu estava vazia. E o trecho que apareceu foi o seguinte: "Aquele que pode, faz. Aquele que não pode, ensina." George Bernard Shaw. Então eu vesti minha melhor roupa e fui caminhar no sol. E liguei meu Ipod e o shuffle decidiu Regina Spekptor. It was so easy E assim que eu li eu soube. and the words so sweet. Eu não era professora. E eu não podia nada. You spend half of your life trying to fall behind. Então eu esperei o sinal ficar vermelho e o ônibus acelerar You'resing your headphones to drown out your mind e me joguei na frente dele. E essa foi a primeira vez que eu morri.

You can't remember; you try to move your feet.

16 de mar. de 2010

Você conhece o Mário? Heheheheehhe


Os vídeo-games cresceram junto com a humanidade e ao longo do tempo ajudaram a influenciar a vida de seus jogadores. Se você duvida, basta comparar Super Mário Bross com Donkey Kong por exemplo.

No primeiro, existe toda uma jornada a ser percorrida para que o Mário resgate a princesa Peach e fique com ela no final. Ok, o cara enfrenta dragões e confunde tartarugas e até mesmo enfrenta rinocerontes estáticos em cima de uma roda-gigante em cima de um lago de fogo mas será que vale a pena passar por tudo isso SÓ para ficar com a loirinha no final ?? I mean, eles NEM SÃO CASADOS, e o Mário simplesmente dedicou suas milhares vidas única e exclusivamente a encontrar a princesa.
..................... NOS CONHECEMOS NUMA VISITA TÉCNICA EM SEU CASTELO !11!!1!

Que tipo de informação isso estava dando para as crianças? "Apaixone-se por uma princesa e PASSE TODA SUA EXISTÊNCIA FAZENDO ABSOLUTAMENTE TUDO POR ELA". Essa geração de vídeo-game foi a geração dos trouxas: homens fazendo tudo pelas loirinhas para que no final elas ficassem com eles.

E então vieram os macacos.

No segundo Donkey Kong, Diddy Kong leva sua namorada, Dixie Kong para completar a missão: resgatar o Donkey Kong. Aqui, a mulher não é mais um objeto de troca, e sim uma heroína guerreira. E dá-lhe cabelada no galerê. Ela apanha, ela bate, ela luta.
.. Entre
................. Entre uma morte e outra, ainda dá tempo de pintar as unhas!!!!

Mas calma. Se você achava que a história acabava por aí VOCÊ TÁ MUITO ENGANADO.

Antes da Princesa, o super Mário pegava a Pauline. PAULIWHO, vocês me perguntam. Pauline sua primeira namorada, eu respondo. A única não-princesa que ele se envolveu por toda sua vida, e a resgatou do Cranky Kong no Donkey Kong original.

Mas não vou adentrar na história porque a Pauline é aquela inútil que só existe para aparecer no álbum do Facebook do Mário com nome "momentos" e mostrar uma ou outra foto deles se beijando pras cocota pensar "Nossa, ele só pega gata" e cair em cima.

E tem também a Princesa Daisy, que foi salva pelo Mário, dada de presente para o Luigi que não estava na história e nem aproveitou, porque no fim das contas, ela acabou pegando a Princesa Peach e mostrou que por dentro do castelo. dos encontros de princesas e dentro da saia o negócio é mais quente.

Mentira, isso é só fetiche de punheteiro.

22 de fev. de 2010

Taxifobia

Agosto de 2008. Eu, mineira, morando a pouco tempo em São Paulo, precisava ir a um cartório. Não era muito longe não, mas eu não fazia menor idéia de que ônibus pegar então resolvi tomar um táxi.

Se isso fosse um filme, esse seria o momento em que o filme pararia. Não porque quem assiste precisa tirar a pipoca do forno porque já tá pronta ou até mesmo pegar sal, mas porque existe uma informação que precisa ser inserida antes que você entenda resto da história. Algumas pessoas tem medo de baratas, outras tem pesadelos com a voz da Silvia Popovic e, tem ainda, aqueles que tem medo de táxi.

Eu não lembro direito quando isso começou, mas eu sei que uma vez estava vendo várias reportagens de taxistas que estavam sendo atacados. De alguma forma, bandidos se passavam por pessoas normais, pediam que fossem levadas a lugares um pouco desertos e tumbalacacheta. Mas até ai eu deveria ter medo dos bandidos não dos taxistas, certo?

Errado.

E se eu coincidentemente pegar esse taxista que na verdade é o bandido disfarçado de taxista porque o verdadeiro tá ali cortado em pedacinhos no porta-malas? FAZ SENTIDO, NÃO FAZ? É. Fez para mim por muito tempo. Não é que eu saísse correndo quando visse um táxi, mas se eu podia escolher entre LOTAÇÃO PARA O CENTRO 2,50 ACEITA CARTÃO BOM QUEM VAI QUERÊ e um carro luxuoso com uma plaquinha branca em cima, eu escolhia a lotação. E foi assim por um bom tempo. Anos, sei lá. Mas eu cresci agora e sou mulher tenho que encarar com muita fé e quando trabalhei na Natura precisei pegar o táxi algumas vezes para fazer treinamento em uma empresa e depois voltar. Foi um pouco complicado no começo, mas acabei por vencer o medo aos poucos e hoje já me livrei desses Quentin Tarantino feelings.

Mas vamos voltar a história...

- Ei me leva em tal lugar
- É para já, senhorita.

O carro roda, roda. Dá 10, 20, 30 minutos. Ok, o trânsito não está tão exagerado assim. O sinal fecha, o motorista vira meio bruscamente (eu assusto):

- Sabe que que é? Vou falar uma coisa para senhora

Ih, lá vem. Presságio. Essa é a última frase que alguém ouve antes de morrer? "Senhor?" Eu digo, já cautelosa, com a mão no trinco da porta. Qualquer coisa eu abro o táxi e desço correndo, qualquer coisa eu quebro o vidro, não sei. Será que ele corre atrás de mim? Será que ele trancou a porta? Será que ele tá armado? Será que o meu salto alto machucaria ele? Eu tenho uma caneta tinteiro na bolsa e se eu alcançar e enfiar no olho dele ago...será que ele dá ré e me atropela? Mas e se eu correr para aquela rua ali..

- É que é a primeira vez que eu to dirigindo aqui, eu era taxista no interior. To meio perdidão... heh hehe heh eh

Ufa.

Era isso. Só isso.

Tiro a mão cautelosamente do trinco da porta:

- Uai... tamo junto
- Que?
- Tamo junto. Também não sei não. Vamo descobrir. Pára e pergunta para alguém ai.

O cara tava tão receoso que eu acho que ele pensou que eu ia brigar com ele ou algo assim. A idéia de brigar com um homem maior que eu nunca me agradou. No máximo, faria um desenho feio dele numa nota de 5 reais ou digitaria a senha errado da primeira vez na hora de passar o cartão só para tomar o tempo dele. Ou o meu, caso bloqueie o cartão sem querer. E ai, sem dinheiro para pagar, pode ser que eu tenha que correr dele mesmo, mas por outros motivos.

9 de fev. de 2010

Carnaval.exe

Quando eu assistia televisão com mais frequência, sabia que o carnaval estava chegando por duas coisas: as propagandas de camisinha e aquela mulher desenhuda pelada dançando em volta daquele símbolo da televisão você-sabe-qual.

- Eai , gata, posso te conhecê?
- hihihi
- é o seguinte to na sua vc tá na minha
- tá curtindo esse carná?
- certezz
- bora ali
- demorou
(...)
- Po gata tá tão legal que a gente devia se curti lá na rep. dos meus amigos é mó legal tem ninguei
- demorou
(...)
-PO MINA VC É MT LINDA EU TO NA SUA VC TÁ NA MINHA MAS NEM VAI DAR PRA GENTE CONTINUAR NESSA COISA TÃO GOSTOSA QUE É FAZER AMOR PORQUE EU TAVA VENDO NOVELA ONTEM E AFF VC Ñ VAI ACREDITAR PASSOU AQUELA PROPAGANDA DA CAMISINHA E AGORA ENQT EU TAVA VENDO VC PELADA EU LEMBREI QUE TO SEM MAS DEIXA ASSIM QUIETO A GENTE TRANSA ANO QUE VEM TUDO BEM?
- demorou

Esse diálogo pode não corresponder com a realidade devido a inexperiência da autora em diálogos de pegação do período carnavalesco mas serve de ilustração para o que eu quero dizer a seguir:

Só eu acho essa propaganda a coisa mais desnecessária do mundo? Quer dizer, o casal não vai parar a coisa no meio porque lembrou que ontem antes da novela passou uma propaganda com um tiozinho alertando alguma coisa. Camisinha é uma questão de caráter: ou você tem ou não tem. Brincadeira. É só uma coisa que as pessoas decidem sozinha sem precisar que uma propaganda faça isso por elas. "Tá, mas e se tem pessoas que só usam porque falam na televisão?" outro motivo para não mostrar, assim elas transam, morrem no parto ou de doença e não poluem o mundo com asneiras É, não sei o que dizer sobre isso.


..................................... SOCORRO UM SHINIGAMI !!1!1!1!!!

Entendo porra nenhuma as pessoas que valorizam o carnaval pelas fantasias, pelos carros todo caprichados e cheios de esculturas, mas não gosto. Duas coisas que me faz dormir muito rápido: podcast de filosofia e desfile de escola de samba. Nunca consegui assistir um até o final ( e quem me conhece sabe que eu não durmo nunca). É sempre a mesma coisa, os mesmos passos, não muda. O cara abre e fecha as pernas, pula que nem louco e acha que é arte. O samba é bonito, sim. As mulheres também. Mas se a coreografia fosse uma coisa mais bem elaborada, mais divertida, atual, sei lá, talvez eu me importasse mais. Ou não.

Outra coisa que eu acho bem divertido é o fato de que esse é provavelmente um dos países mais moralistas que existem. Não porque o Brasil seja ruim. Mas porque tem muita gente aqui. E quando tem muita gente num lugar é natural ter muita merda. Mas isso é uma outra teoria para um outro post. A que explorarei aqui será a de que o carnaval e religião andam lado a lado. Carnaval trata-se basicamente do evento em que é ok fazer sexo durante 3 ou 4 dias do ano. Acrescente PARA PROCRIAÇÃO e voilá, temos uma religião. Pronto, acabou a teoria. Tão rápida quanto o sexo que você vai fazer ás 16h00 da tarde de Terça-feira que vem porque você tem ejaculação precoce.

Não estou reclamando do carnaval. Adoro. Ano retrasado brinquei de "aponte o dedo no mapa e viaje para onde cair". Conheci Congonhas e os doze apóstolos de Aleijadinho. Conheci a serra do rola-moça, um dos lugares mais altos pelo qual já passei, e que mais tarde descobri também servir de depósito dos traficantes de BH jogar o corpo do galerê que não querem que descubram que morreu. Passamos por umas estradas bizarras, furamos os dois pneus, fui chamar o tiozinho mecânico na festinha do carnaval que ele tava, até ofereceu cerveja para gente. Arrumados os pneus, voltei para casa e emendei com dois filmes que amo: a nova onda do imperador e E o Vento Levou. Ano passado dividi entre passear com a vó e re-assistir (pela oitava vez) a trilogia do Poderoso Chefão.

Por último, mas não menos importante, a desculpa. A desculpa para colocar menos roupa, a desculpa para ser mais vulgar, a desculpa para fazer sexo e beber. Uma atrás da outra compiladas com o único objetivo de mostrar que você só tá fazendo essas coisas porque é carnaval, porque tá todo mundo fazendo, porque é divertido. Aqui vai um segredinho para você: Sexo, bebidas? Você não precisa ficar esperando Fevereiro chegar. Você pode ter isso o ano inteiro.

Legal, né??

5 de fev. de 2010

Sinusite is now following you

Eu tenho uma doença. Sim, geralmente essa é a hora que antecipa um grande acontecimento nos livros, ou é a frase final de algum episódio bombástico daquele seriado que você adora. Mas não vou me valer de idéias esdrúxulas para prolongar aquilo que é óbvio para qualquer um que me conheça: eu tenho uma doença. Ela não é psicológica, eu garanto. Quer dizer, bem, eu não vou entrar nesse assunto, porque uma vez um cara disse que todas as pessoas tem algum problema psicológico. Eu sempre achei interessante essa coisa de ter um problema psicológico porque geralmente as pessoas mais legais tem um problema psicológico. As pessoas certinhas a gente nunca viu nem comeu e nem ouve falar.

Desde criança quis ser atriz. Trabalhei profissionalmente dos 16 aos 18 anos e foi provavelmente a coisa mais gostosa que já fiz na minha vida (essa é a parte em que você diz "Po então você nunca fez isso então você nunca então você shiu). E toda pessoa que tem problema psicológico invariavelmente é um pouco artista. E todo mundo sabe que para virar artista basta fazer algum desenho mais elaborado no Sketch e voilà: você já pode se considerar um artista.

Mas um artista não pode ter o nariz zuado, não é mesmo? A menos que seja de drogas, porque rehab é cool e todo mundo quer contratar um artista que já fui para rehab porque drogado ENTENDE MELHOR A VIDA, NÃO É MESMO. Você já teve do outro lado, você já conseguiu entender as letras do Raul Seixas de trás-para-frente então você é considerado superior.E é por isso que eu reservei semana que vem um alergista, para que eu possa finalmente curar o meu nariz e virar artista (a rima não foi proposital).

Acredito que os vídeo-games cresceram junto com a humanidade e priorizaram o livre arbítrio bem como a liberdade de expressão de seus jogadores. Se você duvida, basta comparar Super Mário Bross com Donkey Kong por exemplo. No primeiro, existe toda uma jornada a ser percorrida para que o Mário resgate a princesa e fique com ela no final. Ok, será que vale a pena passar por tudo isso para ficar com a loirinha no final?? I mean, eles NEM SÃO CASADOS. E vamos combinar que para ele saber que ela tinha ido embora é porque ele ficou STALKEANDO na janela até que um dia a janela dela não abriu mais cadê o sutiã verde que ela usa nas quartas-feiras logo depois da aula de piano dela? E então ele foi atrás e descobriu que ela tinha sido raptada e de repente o Mário simplesmente dedicou suas milhares de vidas exclusivas para encontrar a princesa vitimada.

Que tipo de informação isso estava dando para as crianças? "Encontre uma mulher que adora drama e PASSE TODA SUA EXISTÊNCIA FAZENDO ABSOLUTAMENTE TUDO POR ELA". Para mim, essa geração foi a geração dos trouxas: homens fazendo tudo pelas loirinhas para que no final elas ficassem com eles.

E então vieram os macacos.

"King K. Rool seqüestra Donkey Kong. Ele só irá libertá-lo se a família Kong entregar a reserva de bananas de Donkey Kong para ele. Então, Diddy e sua namorada Dixie vão para a Crocodile Isle para resgatá-lo." In Wikipedia
Quer dizer. A mulher aqui já adota outro papel. Dixie não fica em casa fazendo a unha e ligando a chapinha enquanto o namorado se aventura pela selva a fim de resgatar o tal do Donkey Kong.

Ela reage! Ela vai atrás!

ELA QUEIMA O SUTIÃ NA TERRA DO SUPERNINTENDO

Ela enfrenta o mundo todo. E você fica sentado na poltrona com dois rolos de papel higiênico assoando seu maldito nariz simplesmente porque você não tem opinião, não tem iniciativa, não tem emprego, e não te sobrou mais nada na vida a não ser reclamar e continuar espirrando.

22 de jan. de 2010

Joana D'ark, capital do Maranhão e um copo de requeijão.

São Luís do Maranhão, 2005.

- Qu'est-ce que tu fais?
Era uma daquelas entrevistas boring que você precisava de vez em quando para ver se encontrava alguém bom o suficiente para ser gerente de marketing da sua empresa, porém a verdade é que você sabe que alguém que ia para essas entrevistas geralmente não era bom o suficiente. Porque o que as empresas geralmente fazem é buscar o entrevistador e não aceitar o que vem. Mas você fazia assim mesmo porque era preciso e porque era política da empresa não desperdiçar nenhuma chance de encontrar alguém para o cargo.

Tinha um charuto em cima da mesa não porque fumasse mas porque achava que pessoas importantes teriam um charuto em cima da mesa. E exibia algumas das muitas premiações em marketing que ganhou lá pro fim dos anos 90, que, embora fosse muita coisa, ele também sabia que era muito fácil ganhar as coisas naquela época porque nos anos 90 todo mundo fumava maconha e ficava doidão e qualquer coisa que você criasse virava um hit para geração futura.
Então vestiu seu melhor terno Armani, o que impressionaria a moçoila mais sofisticada de qualquer evento em que fosse, e pôs-se a esperar em seu escritório. Já havia ouvido falar daquela pessoa que iria hoje para a entrevista. Alguns muitos elogios daqui, algumas premiações, porém nada que despertasse sua atenção.

E era uma mulher, também.

E não que você tivesse algo contra as mulheres mas elas são loucas. E o tempo em que passou com elas foi suficiente para perceber que qualquer uma surtaria se tivesse a profissão que você tem. Porque é preciso ser macho, mesmo, para aguentar tanta pressão. E ainda tem a tal da TPM, e a gravidez, e os sentimentos a flor da pele. Definitivamente alguns cargos não estão aos pés de certas mulheres. E você ia divagando a respeito de todas essas baboseiras que as pessoas costumam comentar nos livros quando de repente bate a porta e sua secretária anuncia:

- É ela, chefito.

E então ela entra. Mais cedo ele havia rido de seu nome. Joana D'ark. O que será que ia aparecer ali? Um homem com peruca? Talvez ele usasse essa brincadeira. Ou talvez não. Talvez ela nem conhecesse a cultura fr... e então ela entra. Cabelos ondulados na ponta e uns olhos cor de... mentira. É um homem descrevendo, cara: seios hmm é, dá para encarar e pernas também. Gostosa.

- Qu'est-ce que tu fais?

É a frase-padrão. É a carta na manga que Carlos tem quando quer impressionar alguém. Começa a falar francês, que para ele é uma língua fácil, pois tem um tio em Quebec e passou quase a adolescência inteira por lá. E sente falta das conversas em francês ou em inglês, que lutou tantos anos para estudar e desperdiça agora sendo diretor de uma empresa... brasileira. Não, ele tem que ir mais longe, ele precisa sair daq..

- ''Plurimum valet gallus in aedibus suis''.

Carlos ficou estático. Aquela mulher, ali, na sua frente, não só entendeu o que você disse como respondeu em outra língua. Ainda que uma língua morta, mas outra língua. Ainda que ele não fizesse a menor idéia do que ela tinha dito, porque ele nunca tinha aprendido latim, ela tinha dito, ali, aquela hora. E ele se esqueceu de que de todas as qualidades que as mulheres tem, ser charmosa é uma delas. E de alguma forma ele se apaixonou por ela ali.

Dez anos depois disso (sim, ele deu o emprego a ela), eles estavam casados e ela estava grávida de seu primeiro filho. Emocionado, ele comprou uma roupinha de bebê com um provérbio bordado em latim e deu para ela dizendo assim, no pé do ouvido:

- Foi o latim que fez eu amar você. Uma língua morta, Joana. Uma língua morta! Eu sabia que era um sinal desde que você tinha falado aquela frase, foi tão linda. Sua voz faz tudo parecer a coisa mais linda do mundo.

Ela deu uma risada e o beijou suavemente.

- E então, o que tá escrito ai?
- Ora, apenas leia. É em latim.
- Sei não.
- Você não sabe latim?
- Não.
- Então... como... que você disse .. ?

- Ah, aquela frase? Eu tinha lido num copo de requeijão no horário do almoço.