22 de fev de 2010

Taxifobia

Agosto de 2008. Eu, mineira, morando a pouco tempo em São Paulo, precisava ir a um cartório. Não era muito longe não, mas eu não fazia menor idéia de que ônibus pegar então resolvi tomar um táxi.

Se isso fosse um filme, esse seria o momento em que o filme pararia. Não porque quem assiste precisa tirar a pipoca do forno porque já tá pronta ou até mesmo pegar sal, mas porque existe uma informação que precisa ser inserida antes que você entenda resto da história. Algumas pessoas tem medo de baratas, outras tem pesadelos com a voz da Silvia Popovic e, tem ainda, aqueles que tem medo de táxi.

Eu não lembro direito quando isso começou, mas eu sei que uma vez estava vendo várias reportagens de taxistas que estavam sendo atacados. De alguma forma, bandidos se passavam por pessoas normais, pediam que fossem levadas a lugares um pouco desertos e tumbalacacheta. Mas até ai eu deveria ter medo dos bandidos não dos taxistas, certo?

Errado.

E se eu coincidentemente pegar esse taxista que na verdade é o bandido disfarçado de taxista porque o verdadeiro tá ali cortado em pedacinhos no porta-malas? FAZ SENTIDO, NÃO FAZ? É. Fez para mim por muito tempo. Não é que eu saísse correndo quando visse um táxi, mas se eu podia escolher entre LOTAÇÃO PARA O CENTRO 2,50 ACEITA CARTÃO BOM QUEM VAI QUERÊ e um carro luxuoso com uma plaquinha branca em cima, eu escolhia a lotação. E foi assim por um bom tempo. Anos, sei lá. Mas eu cresci agora e sou mulher tenho que encarar com muita fé e quando trabalhei na Natura precisei pegar o táxi algumas vezes para fazer treinamento em uma empresa e depois voltar. Foi um pouco complicado no começo, mas acabei por vencer o medo aos poucos e hoje já me livrei desses Quentin Tarantino feelings.

Mas vamos voltar a história...

- Ei me leva em tal lugar
- É para já, senhorita.

O carro roda, roda. Dá 10, 20, 30 minutos. Ok, o trânsito não está tão exagerado assim. O sinal fecha, o motorista vira meio bruscamente (eu assusto):

- Sabe que que é? Vou falar uma coisa para senhora

Ih, lá vem. Presságio. Essa é a última frase que alguém ouve antes de morrer? "Senhor?" Eu digo, já cautelosa, com a mão no trinco da porta. Qualquer coisa eu abro o táxi e desço correndo, qualquer coisa eu quebro o vidro, não sei. Será que ele corre atrás de mim? Será que ele trancou a porta? Será que ele tá armado? Será que o meu salto alto machucaria ele? Eu tenho uma caneta tinteiro na bolsa e se eu alcançar e enfiar no olho dele ago...será que ele dá ré e me atropela? Mas e se eu correr para aquela rua ali..

- É que é a primeira vez que eu to dirigindo aqui, eu era taxista no interior. To meio perdidão... heh hehe heh eh

Ufa.

Era isso. Só isso.

Tiro a mão cautelosamente do trinco da porta:

- Uai... tamo junto
- Que?
- Tamo junto. Também não sei não. Vamo descobrir. Pára e pergunta para alguém ai.

O cara tava tão receoso que eu acho que ele pensou que eu ia brigar com ele ou algo assim. A idéia de brigar com um homem maior que eu nunca me agradou. No máximo, faria um desenho feio dele numa nota de 5 reais ou digitaria a senha errado da primeira vez na hora de passar o cartão só para tomar o tempo dele. Ou o meu, caso bloqueie o cartão sem querer. E ai, sem dinheiro para pagar, pode ser que eu tenha que correr dele mesmo, mas por outros motivos.

7 comentários:

Léo disse...

HAHAH que noiada

Anônimo disse...

TENSO ps: aqui é o Augusto XD

Anônimo disse...

TENSO ps: aqui é o Augusto XD

Ériquinha Frota disse...

Hahahaha....perdeu o medo de táxi agora?
Tô seguindo seu blog!
Adorei!
Passe lá no meu sempre que quiser, ok?
Bjos,
Érica

Paulim disse...

ótimo post! hauhauahua vou esperar uns meses, roubar e postar no pautalegal, bjs

glhrms disse...

Amiga, creio que vi essa mesma reportagem, e ela também me marcou. Mas tudo mudou quando eu reparei que alguns taxis usavam um adesivo "Taxi amigo ;-)". De algum modo isso tirou meu medo, e está tudo bem agora. D:

Rittah disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Muito bom!Vou te seguir...Mas não se preocupe não sou taxista...
Abraço.