7 de set de 2009

Gelatina Estragada

Em 1933, numa cidade pequena, nascem gêmeos idênticos. A mãe, infeliz, queria trigêmeos. "Filha, não tenha dois filhos, número par nunca é bom", dizia sua vó, e ela concordava, cabisbaixa. Mas nada resolvia a situação, ano após ano, nenhum outro filho vinha. Até que ela resolveu adotar. Mas essa história não começa aqui...

(...)

Esta história começa em 2014, quando uma descendente dessa mesma infeliz teve mais sorte, e acabou tendo trigêmeos. Ah, foi a maior comemoração. Não se ouvia falar de trigêmeos na família há quase cem anos, e isso era orgulho para aquelas pessoas cujas vidas se baseiam na novela da Globo e quando tem um acontecimento qualquer fazem o maior auê, sabe como?

Masintão. Foi em Dezembro de 2014 que vieram a luz três grandes meninos: Cícero , Heitor e Prático. E eles crescerão felizes para sempre. Até que chegou a época do vestibular e galerê nem sabia o que fazer. Cícero sempre foi meio poliglota, viajou dos 15 aos 18 anos como mochileiro e conheceu diversas culturas. Fez uma namoradinha na Argentina e um namoradinho na Itália. Era todo moderninho, até discotecou numa baladéénha pra lá de Bagdá. Mas chegando na hora H, nem sabia o que fazer da vida. Como decidir se tudo que ele queria era continuar viajando? Pegou o papel da faculdade e ficou em dúvida do questionário. Gostava de gelatina e de pegar meninas e meninos mas não sabia se isso podia ser considerado exatamente um hobby.

Heitor já seguia uma linha mais tranquila, sempre na dele, sem arranjar confusão. Contam que certa vez ele conseguiu fazer duas gangues pararem de brigar só utilizando ... palavras. E ele tinha uma boquinha linda, meio carnudinha, eu fazia, quer dizer, ele era budista, né. Não é como se ele pegasse muita gente. É, um monge budista. Leu na Veja uma vez, numa crônica do Diogo Mainardi e achou que seria tendenssia fashionista ser assim. Como a mãe também lia Veja, apoiou a idéia do filho e ele escapou do vestibular.

O terceiro filho, o mais inteligente, se trancava no quarto e ficava alternando entre site pornô e bate-papo uol desde os 15 anos. Aos 18 já tinha L.E.R e nenhuma competência pessoal. Não conseguia conversar, era monótono e quase nenhuma pessoa lembrava dele. Uma vez tava num clube, os pais obrigaram a ir naquela vibe "filho-você-precisa-se-interagir" e chegando lá conheceu um mágico. Este disse que conseguiria andar por cima da água e eles fizeram uma aposta mas mal sabia que ele teria um número naquele dia. Sendo assim, acertada a aposta, o mágico correu para água e subiu numa corda invisível. Só precisou três minutos para Prático entender o sentido da vida. Chegou em casa, pôs-se a chorar e compreendeu que tinha vindo ao mundo para fazer alguma coisa diferente, para fazer sentido, e melhorar a vida das pessoas. Mas como ele não conseguia andar sobre as águas, só sobrou virar carpinteiro.

Mas a historia que eu ia contar também não era essa..

..BRINKS, é sim.

Certo Natal, como era de se esperar, família toda reunida, peru no forno, crianças insuportáveis correndo pela casa, dvd's caseiros á solta e um pianista órfão que só trabalha aos feriados porque não tem família para ficar e aquela tia que todo mundo sabe que usa drogas mas que não conta para ninguém nem fala sobre o assunto porque é falta de educação.

(...)

Tinha olhos castanhos, pele morena da cor do pecado e lábios carnudos. O corpo, cheio de curvas, chamava atenção para seu andar (Google: você quis dizer: pelo seu andar). Todos os homens a queriam, todos os homens a desejavam. Seu facebook, twitter, fotolog e flickr eram lotados de fotos de decote e poeminhas do Fernando Pessoa, além de frases do Veríssimo, muito delas atribuídas erroneamente. Mas não se importava. Ela nem lia Wikipedia, nem o Google. Ela mal atualizava. Pedia para uma amiga feinha fazer o trabalho, para ela ficar achando que tinha algum valor na vida dela.

Mas não tinha.

E ela era infeliz, coitada. Mesmo com aquele tanto de homem em cima dela, ela não encontrava a felicidade. E se afundava em sonhos e fantasias e desejava que um príncipe viesse capturá-la. Mas até isso não acontecer ela se divertia com os homens errados, e se entregava nos desejos das carne.

Com 17 anos ficou famosa na internet por um vídeo no redtube. Aos 21, já era falada no país todo. Acabou se mudando para o Brasil, para uma cidadezinha pequena e pacata, que nada tinha de interessante para fazer.

E foi ali que a nossa história veio se encontrar, no mesmo dia que Bella esbarrou em um monge budista e começaram a conversar. Na semana seguinte, já estavam na cama, rezando. E eles conversavam sobre todos os assuntos e aquilo a agradava imensamente. Era sem dúvida nenhuma o melhor amante que já tinha tido na vida.

Mas ele era monge, né. E como todo relacionamento duradouro, isso acabou incomodando uma certa hora. E veio a rotina também, e os anseios e as brigas. E ela já não gostava tanto assim daquela música gospel e nem de tomar banho toda vez que fazia sexo "Precisamos lavar a alma", ele dizia. Mas lavar o carro que era bom nada, e aquele gol ficava sujo o dia inteiro, parecia que moravam na roça. Não não não, ela não tinha nascido para aquilo, ela não podia mais suportar.

E um dia ela precisava de um servicinho que só um bom carpinteiro poderia fazer (seja lá o que eles fazem). E o destino fez com que eles se aproximassem e a ironia fez com que eles tivessem um filho, ali mesmo, em cima do tapete. Não precisou de parteira porque tava rolando mó gripe suína e ela achou melhor ter o filho ali mesmo, longe daquela confusão e dessa gente que não se respeita tenho quase certeza que eu não sou daqui..

Bom, para encurtar a história, o Cícero inventou de trazer uma gelatina para dar maior força na gravidez , mas como ele tinha acabado de vir da Argentina, acabou trazendo de bônus a gripe de lá, e a Bella perdeu o bebê. O filho se foi mas ela sarou logo em duas semanas. Os trigêmeos estavam muito doentes e ficaram internados durante dois meses. Escapando da morte, resolveu transar com Rogério Fernandes, um sessentão rico e canalha, que não estava na história, e tinha uma mansão com sistema de segurança fodido.

Moral da História: Não importa o quanto você tente ir contra, ás vezes o lobo mau simplesmente vai roubar a mulher dos três porquinhos.

[Direção: Fabrette's.]

2 comentários:

Jack disse...

Aaaaaaaaaaaaaaaaauuuuuuu¹!



¹ Nota do Comentador: Foi um uivo.

Augusto Molkov disse...

Seu blog é quase tão não lido quanto o meu. *.*